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sábado, 5 de fevereiro de 2011

LUGAR DE USUÁRIO DE DROGAS É NO HOSPITAL OU NA CADEIA? (artigo publicado originalmente no Jornal do Povo de 05 de Fevereiro de 2011)

Sim, eu sei que os presídios estão lotados. Eu sei que a Polícia Civil e a Brigada Militar trabalham no seu limite. Sei que o usuário de drogas também é um doente. Também sei que a educação e a família são fatores importantes no combate à drogadição. O que questiono, no entanto, é por que ele não é considerado e tratado também como um criminoso por alimentar o tráfico de drogas? Será que ele é apenas uma simples vítima? Mas vítima de quê?

Por mais repressão que exista em relação aos pontos de venda de tóxicos, prende-se um criminoso num dia e no outro lá estará um novo traficante. A venda de drogas só acontece porque tem quem compre. É a lei da oferta e da procura. Quanto mais usuários, mais drogas serão consumidas e a rede de distribuição precisa dar conta disso. Ao ser tratado apenas como um doente, o poder público exime-se de investir em presídios, por exemplo, e joga uma infinidade de pessoas para dentro do SUS. Hoje se faltam recursos para simples exames é porque parte desses recursos está sendo consumida pelos usuários de drogas.

Sou a favor de um recrudescimento da legislação contra o usuário. Vai resolver o problema? Em boa parte, sim. Faz-se necessário uma repressão mais efetiva contra o usuário, pois o que se vê é um aumento desmedido de pessoas consumindo drogas ilícitas por saber exatamente que o Estado as protege. Quando estiverem viciadas seremos nós sociedade que compactuamos com isso que financiaremos o tratamento destas pessoas, à custa de muito dinheiro e penalizando muitas vezes o cidadão de bem que nunca cometeu nenhum crime, a esperar em filas para fazer um simples eletrocardiograma. Chega-se hoje ao absurdo de termos pessoas que foram presas com 20 pedras de crack e ao invés de estarem detidas estão hospitalizadas consumindo recursos públicos, inutilmente. A simples internação, por até 30 dias, não resolve. Na maioria das vezes é necessário colocá-lo em uma clínica para a sua efetiva recuperação, o que consumirá ainda mais recursos públicos.

Hoje, na conjuntura atual, nem se prendem e muito menos se recuperam os usuários de drogas. Tanto isso é verdade que quando acontece torna-se manchete em jornal. Aqueles que do vício se libertam o fazem por um superesforço pessoal. Dele e das pessoas que trabalham no sistema de saúde, que condoídas fazem mais por seus pacientes do que o próprio Estado exige. Esse deve ser um tema para se debater.

Está mais do que na hora dos discursinhos demagógicos darem lugar a políticas públicas efetivamente sérias. E tratarmos sim o usuário de drogas como um criminoso, por ser o elo mais importante da cadeia que alimenta o tráfico de drogas. Ou isso, ou então que se libere o consumo de drogas leves, pois a sociedade não suporta mais conviver com essa promiscuidade gerada e alimentada pela inapetência de nossos políticos. Escrevi e assino embaixo.

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