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sábado, 16 de outubro de 2010

GRÁFICA PAULISTA IMPRIMIA PANFLETOS CONTRA DILMA

O PT quer uma apuração rigorosa sobre a responsabilidade pelos panfletos que estavam sendo impressos em uma gráfica da zona sul de São Paulo neste sábado (16). A unidade, localizada no bairro de Cambuci, preparava a impressão de mais de dois milhões de manifestos contra a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff.

O autor do material usou o nome da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para assinar o texto, que aponta intenção da petista e do presidente Lula de legalizar o aborto por meio do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH). A carta, intitulada “Apelo a todos os brasileiros e brasileiras”, é a mesma que circulou no último dia 12 por igrejas do interior paulista e de Minas Gerais e seria distribuída em missas neste domingo.

O pai do dono da gráfica, Paulo Ogawa, informou que o serviço foi encomendado por uma pessoa que se apresentou como colaboradora do bispo de Guarulhos, dom Luiz Gonzaga Bergonzini, o mesmo que gravou vídeo pedindo que não se vote em Dilma. De acordo com Ogawa, a intenção do rapaz, que se apresentou como Telmo, era imprimir mais de vinte milhões de panfletos. Mas, como a gráfica dele não comportava a encomenda, ficou acordada a impressão de 2,2 milhões de unidades.

Por isso, o PT acredita que outras gráficas estejam trabalhando na confecção do material difamatório e pede a investigação dos fatos. O partido deve pedir investigações nas frentes criminal e eleitoral a respeito do episódio. O deputado estadual Adriano Diogo, que descobriu a operação, lembra que a CNBB não dá autorização para que sua logomarca seja colocada em panfletos e pede que seja apurada a autoria do panfleto. “Esse documento é falso. Falsificou o timbre da CNBB, falsificou o texto, que não é da CNBB. O documento é frio, não tem nada que ver com a CNBB. As assinaturas dos bispos são frias. É falsidade ideológica.”

O caso veio à tona no fim de semana em que os bispos da Regional Sul 1 da Conferência estão reunidos em Itaici, no interior paulista. O flagrante provocou a convocação de uma reunião extraordinária entre os líderes religiosos. Dom Pedro Luiz Stringhini, que comanda atualmente a Diocese de Franca, no interior paulista, manifestou por telefone que a posição da Igreja Católica é de que não se deve usar a palavra para pedir votos em quem quer que seja. "Isso que é importante ressaltar. A posição da CNBB é sempre de apontar critérios, e não pessoas. E defender o voto livre. O católico vota em quem ele quiser."

Ele lamenta que algumas dioceses, como a de Guarulhos, estejam desrespeitando essa medida. Esse será um dos temas debatidos ao longo desta noite pelos bispos, a portas fechadas, em Itaici. Os líderes entendem que é preciso enfatizar a posição da CNBB, proibindo a manifestação eleitoral. "É lamentável que esse documento tenha existido e mais lamentável ainda que tenha sido reproduzido e divulgado", conclui.

Diogo, do PT, lamenta que o nome da maior entidade da Igreja Católica brasileira seja utilizado de maneira anônima para promover mentiras. “Nenhuma igrejinha pode rodar uma tiragem dessa. Há alguém muito poderoso, com muita bala na agulha, mandando rodar o material. Ninguém pode afirmar que tem algum partido político por trás disso. Mas o teor é totalmente partidário. Não é um documento eclesial”, pondera.

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