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sábado, 16 de maio de 2009

O AMOR POR TRÁS DA ELEIÇÃO (Crônica de Vinicius Severo )

Durante o pleito eleitoral do ano passado, uma história de amor muito estranha começou a nascer em Cachoeira do Sul. Babi e Paulo, amigos desde a infância (e ex-namorados) estavam de lados opostos, cada um coordenava a campanha de um candidato, ela com Marlon, ele com Pipa. Um belo dia, na véspera da eleição, uma grande agitação tomou conta dos bastidores eleitorais porque Paulo foi denunciado por compra de votos, Babi havia ficado com a função de registrar o caso na Polícia. O problema é que Paulo soube disso e decidiu abordar a garota na rua, e começou a conversar com ela, relembrando o passado e dizendo-se inocente.
Mas Babi não caiu na conversa de Paulo, pois sabia que ele queria sair por cima. Paulo, que de burro não tinha nada, insistiu, até que Babi aceitou um convite para jantar num dos restaurantes mais caros da cidade, o Butikin, do vereador Godoi.
Na hora marcada, Paulo praticamente babava ao ver o vestido que Babi estava usando e já nem lembrava mais qual era o assunto que iriam conversar. Babi começou a conversa querendo saber ele havia mesmo distribuído ranchos para comprar votos, pois era o que a cidade estava comentando. Ela olhava Paulo com um rosto enternecedor, e logo ele começaria a falar.
"Babi, tu me conhece, eu nunca faria uma coisa dessas. Mas a denúncia é verdadeira, estão comprando votos, só que tem gente dos três partidos fazendo isso. Estou fazendo a campanha com meu candidato nos bairros, do jeito certo, não faço essas coisas".
Babi não acreditou muito na história, mas deixou passar. Começaram a jantar e o rumo da conversa continuou pairando na eleição e também no passado deles. Falaram das chances de seus candidatos e lembraram do primeiro beijo entre eles, ainda aos 16 anos.
Então naquela noite atípica, Paulo conseguiu conquistar a confiança de Babi com palavras carinhosas e sorrisos sinceros. Flores na chegada, jantar, bombons e um bom vinho brindavam o possível resultado das eleições que nem importava mais para eles. Babi estava um pouco estranha com todos esses agrados, pois Paulo nunca foi atencioso daquela forma. Mesmo assim, Babi entrou na conversa de Paulo, até para ver onde as coisas iriam acabar.
O papo continuava muito agradável, mas o vinho tratou de começar a embaralhar a cabeça de Babi, que pediu que Paulo a levasse para casa. Ele encerrou a conta no restaurante, deu um tapinha nas costas de Godoi, que queria falar de eleição, se despediu e chamou um táxi para levar Babi para casa (a dele). Babi dormia no ombro de Paulo durante o trajeto de cerca de 20 minutos, enquanto Paulo via a sujeira da eleição, santinhos e placas, espalhadas pelos quatro cantos da cidade. Até pediu para o taxista parar e verificou onde estavam as placas de seu candidato, já começava a lembrar do motivo daquele jantar que havia ficado com um sabor diferente do esperado.
Olhou para o rosto de Babi dormindo em paz no seu ombro, e sentiu o coração pulsar mais forte. Chegaram ao destino, e Paulo carregou Babi nos braços, colocando a garota carinhosamente em sua cama.
A jovem pediu que Paulo não a deixasse sozinha, e ele obedeceu, ficou hipnotizado ao ver a beleza dela espraiada sobre sua cama. Olhos fixos um no outro se beijaram e adormeceram abraçados. Acordaram somente à tarde e passaram o dia como um casal que se amava há muito tempo, fizeram amor e olharam um filme, juntos, sobre a cama.
Por volta das 18h, com a eleição praticamente decidida a favor de Ghignatti, o candidato que estava na frente na principal pesquisa da cidade, eles se levantaram e decidiram caminhar pela cidade, era como se nem lembrassem que era domingo de eleição.
Um cabo eleitoral de Ghignatti passou por eles e comemorou a vitória, eles nem se importaram. Naquele dia, o amor deles valia muito mais do que o resultado da eleição.

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