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segunda-feira, 4 de maio de 2009

COLUNA PUBLICADA NO JP DE HOJE

Em tempo de crise mundial, o Dia do Trabalho foi muito mais um dia de reflexão do que de comemoração. Aqui em nossa cidade também não deve ter sido diferente. A maior categoria por aqui, a dos comerciários, continua em dificuldades de ver algumas conquistas concretizadas, em especial aqueles que trabalham nos nossos supermercados.
Sei que é uma medida antipática defender o fechamento dos mercados aos domingos. Ou até retrógrado. Mas em uma cidade que não temos disponibilidade de internet, em que um jatinho não pousa em nosso aeroporto, ou que um telefone fixo leva até 30 dias para ser instalado, não podemos conceber que a dita modernidade deve estar presente apenas em nosso comércio varejista.
Soa-me muito mais feudal do que contemporâneo obrigar alguém a trabalhar sem lhe conceder os benefícios da legislação trabalhista, como horas extras, por exemplo. Trabalhar em troca de uma folga durante a semana, mantendo aquela pessoa longe da família e dos amigos, não me convence. Só aceitaria em troca de uma vantagem financeira. Mas sabem por que ela não acontece? Porque a abertura durante o domingo é apenas um capricho capitalista, que tem por objetivo sufocar as padarias, os minimercados, os armazéns e até o barzinho do bairro.
Não serei hipócrita de sugerir um plebiscito ou uma audiência pública. Nós consumidores somos egoístas. Não estamos nem aí para aqueles que lá trabalham. Aliás, certamente pensamos que eles tenham mais é que se ferrar e que se não estão satisfeitos que troquem de emprego. Ou que eu deveria escrever sobre a necessidade de fechar tudo aos domingos. Só que existe uma diferença significativa nas outras categorias: nos domingos elas são remuneradas. Nos mercados, não. Se fossem, eu não estaria aqui escrevendo sobre o tema.
Espero que nossos vereadores tenham a coragem de enfrentar o problema. Assim como nosso prefeito. Porque, até agora, só vejo promessas. E o debate só acontece quando um louco como eu tem coragem de escrever em favor da classe comerciária e contra o interesse de quase todos os cachoeirenses

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