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segunda-feira, 21 de maio de 2012

Por que escrever uma coluna? ( Coluna de hoje no JP )


Por que escrever uma coluna?

Sei lá. Não sei bem. Não recebo nenhum tostão por isso. Também não escrevo esperando elogios. Recebo, sim, críticas, que eu gosto. Mas nos últimos tempos, tenho é recebido xingamentos. Por isso começo a repensar sobre escrever. Não preciso de reconhecimento público, pois não sou candidato a nada, e muito menos preciso desse espaço para qualquer coisa.

Sempre achei que escrever seria uma forma de contribuir. Mas para quem? Os dissabores são muitos. Quantos “inimigos” arrumei por defender opiniões que se confirmaram? Foi assim com o GG, sendo o único colunista a questioná-lo desde o início, colocando dúvidas sobre as suas ações. Foi assim com a Corsan, que renovou o seu contrato. Foi assim com a UFSM, pela qual torço muito, mas que até hoje não se instalou (embora prometessem para 2010).

E por último foi o tal Consultão (ou referendo), que sempre me posicionei contrário, defendendo a sua ilegalidade, e não a sua legitimidade. E fui o único por aqui, no JP. Contrariando um dos maiores juristas da cidade, meu colega AFF, o próprio jornal, dois promotores de Justiça que se posicionarem pública e processualmente, o Judiciário local e o Executivo, que ainda se esforça para reverter uma derrota que não era sua.
Aí, eu te pergunto, mas por que tudo isso? O que ganhei até aqui? Nada. Absolutamente, nada. Talvez o respeito silencioso de alguns. Vale a pena, então? Pois é.
É de se reavaliar. Emitir opiniões em uma cidade pequena e que está sempre conflagrada talvez não seja a coisa mais importante a se fazer, e muito menos a mais inteligente. Por isso, pensar, e muito, passa a ser preciso...
Comissão da verdade
Abrir os porões da ditadura é a única forma que temos de conhecer a nossa história em uma luta em que quase todos perderam. Dos dois lados. Vingança? Que nada... Precisamos, sim, saber para nunca mais repetir e, muito menos, ficar dizendo que na época da ditadura é que era bom...
Tortura
Como podemos conceber que brasileiros torturaram brasileiros em nome do governo americano? Pois é, mas foi exatamente isso que aconteceu. Arrancavam unhas, colocavam pessoas no pau-de- arara, eletrocutavam e matavam em nome de uma política mundial. Vergonha das grossas que precisamos, sim, todos os dias, publicizar aos nossos jovens.
Políticos
Pode existir coisa mais enfadonha do que ouvir um pré-candidato a prefeito? Sim, ouvir dois. Dormir passa a ser um dever de quem participa dessas reuniões onde os egos são maiores que a cidade. Por isso que eu larguei.
Vereadores
Acho justa a campanha dos cachoeirenses em se proporem a não reeleger os atuais edis, muito embora tenha um cunho vingativo. Mas, mais do que ninguém, pelo silêncio e pelo medo que demonstraram, merecem. E aí, nada mais democrático do que o povo se manifestar, legítima e legalmente.
CandidaturasSerá que podemos entregar a cidade a políticos que, em qualquer reunião partidária, antes de qualquer coisa, querem saber se Pipa Germanos ou Marlon Santos serão candidatos? Depois, eleitos, a qualquer tempo estarão tremendo diante de uma crítica ou manifestação de alguma autoridade.
Executivo e MP
Tão zeloso em cumprir determinações legais, por que será que até agora GG não cumpriu o TAC com o MP e não credenciou o Caps AD? Estamos perdendo mais ou menos meio milhão em dinheiro novo no município.
Teste da memória
Você é capaz de dizer onde os políticos e muitas autoridades públicas atuais estavam no período da ditadura militar? Ou será que eles teriam a coragem de dizer?
Imprensa
Seu papel é informar e educar. Pode até influir, desde que seja explícito e calcado em elementos verdadeiros. Caso contrário, a liberdade de expressão deixa de ter qualquer valor.

Um comentário:

Vinicius Tonollier disse...

Julio Mahfus: não nos conhecemos pessoalmente, mas acho que tu exerce uma importante ação política – no sentido pleno do termo – ao escrever no jornal. Percebo que tu defende a bandeira de minorias – liberdade sexual, bicicletas, efetivação da reforma psiquiátrica, entre outros – e costuma criticar os “interesses dominantes”/econômicos, enfim, assuntos em gerais polêmicos, mais ainda quando se trata de uma cidade conservadora como Cachoeira. Não moro mais aí, mas sigo acompanhando o jornal e acho que às vezes tu faz um contraponto interessante ao próprio JP, o que é ótimo. Infelizmente, percebo que não faltam comentários reacionários a algumas colunas. Incluo-me no que tu definiu como o “respeito silencioso de alguns”, independente de concordar ou não com tuas opiniões. Mas, em geral, aprecio teus posicionamentos. Então acho que escrever uma coluna é um ato de coragem, uma forma de tentar contribuir sobre os interesses da cidade, o que é louvável quando a maioria defende apenas seus próprios interesses. Essa foi a forma que encontrei de dar um tipo de “apoio”, um retorno de um leitor. Não desistas! Abraços. Vincius Tonollier