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domingo, 29 de agosto de 2010

TEXTO DE SÉRGIO MALBERGIER

No final, Lula, Dilma e PT serão os grandes beneficiados políticos do capitalismo brasileiro.

Um casamento feliz, consagrador, que diz muito da nossa esquerda e do nosso capitalismo. E de nossa inclinação à acomodação.

A disputa sempre foi pelo centro. O PSDB descobriu isso primeiro e levou por oito anos. A democracia brasileira, muito funcional até agora, depois colocou Lula e PT no poder quando eles também foram para o centro.

O que Lula e PT agregaram ao capitalismo brasileiro foi a imprescindível consolidação do consenso em torno dele. Um valor bem medido pelos grandes termômetros econômicos de um país com nosso grau de abertura: Bolsa e câmbio.

Se a "ameaça" da primeira ascensão da esquerda ao poder, em 2002, fez desabar a Bovespa e o real, ambos agora não estão nem aí para a eleição. Ou melhor, sentem-se bastante confortáveis com o resultado das pesquisas.

Há um determinismo cronológico que ajuda a explicar o fracasso da direita nacional: o apogeu do capitalismo por aqui só começaria depois do alinhamento da esquerda. Que está em pleno curso. Como é bonito ver Aldo Rebelo, comunista clássico, ser louvado pelos grandes produtores rurais por sua defesa do novo código florestal.

No capitalismo jabuticaba, heterodoxo pela política, é assim: a defesa dos pilares da economia de mercado às vezes soa mais forte nos alto-falantes da esquerda do que nos da direita.

E há, claro, Luiz Inácio "metamorfose ambulante" Lula da Silva. Pai dos pobres, mãe dos ricos, Lula incluiu todos entre os beneficiados de seus oito anos de glórias. Menos a oposição.

O presidente é o maior cabo eleitoral do país, o Datafolha prova. Mas o é não só por seu carisma e liderança, mas principalmente por ser o maior protagonista do modelo econômico atual, seu maior símbolo.

O voto em Dilma é mais um voto no capitalismo como o conhecemos do que em Lula. Está aí outro grande feito do nosso presidente. E do nosso capitalismo.

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