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domingo, 18 de setembro de 2011

AS GRANDES EQUAÇÕES, de Robert Crease

Uma pulga devora a orelha do filósofo e historiador da ciência Robert P. Crease: por que raios um cidadão culto sente-se obrigado a conhecer a obra de Shakespeare mas não a segunda lei da termodinâmica?

Em "As Grandes Equações" (Zahar), Crease desvenda a humana ciência de como se desenvolveram as ciências derivadas da matemática. Ao fazê-lo, explica conceitos sofisticados de maneira tão didática que, segundo o autor, até a atriz Cameron Diaz poderia entender.

DO SITE DA FOLHA

Crease busca exemplos da cultura pop para aproximar os conceitos do leitor. Ele classifica a equação mais famosa de Einstein como "a equação celebridade" --todos sabem que existe, mas poucos de fato a conhecem.

Demonstra isso com o "causo" de uma entrevista em que a atriz teria dito querer saber o que significa E=mc2.

As equações foram escolhidas após uma enquete feita em 2004 com os leitores da coluna de Crease na revista "Physics World".

Cerca de 50 equações foram propostas pelos leitores. Dez entraram --o que garantiu espaço, ainda que no prefácio, para o 1+1=2, indicado por alguns como um momento de epifania matemática.

O fascínio dessas equações tem origem na aventura da descoberta, já que elas surgem para responder a inquietações mentais, diz o autor.

"Depois que alguém inventa uma equação sobre algo fundamental (...), nós e o mundo mudamos", afirma.

PITÁGORAS E EINSTEIN

A estrela do primeiro capítulo, o teorema de Pitágoras, foi uma das ferramentas de Albert Einstein para notar uma das consequências da teoria da relatividade: a equivalência entre massa e energia, que sugeriu a possibilidade (explosiva, como se viu) de converter uma na outra.

A relatividade, por sua vez, veio cutucar contradições entre as leis do movimento de Isaac Newton e as equações em que James Clerk Maxwell postulou a existência de campos elétricos --agradeça a ele se estiver lendo agora num tablet, com internet sem fio.

Os personagens da história das equações não são menos fascinantes do que a própria aventura da descoberta.

Pitágoras sistematizou seu teorema praticamente isolado (ainda que sábios de outras latitudes chegassem a soluções semelhantes) e Newton propôs a gravitação universal subvertendo ideias de um rival sobre a atração de corpos muito menores.

Para contar a descoberta da segunda lei da termodinâmica --crucial para a Revolução Industrial--, Crease faz breves perfis ilustrados dos protagonistas da trama.

Entre os capítulos, o autor faz interlúdios para coçar sua pulga de estimação: a divisão das ciências --que crê arbitrária e, sugere, preguiçosa-- entre "humanas" e "exatas".

Crease, que leciona história e filosofia na universidade Stony Brook, em Nova York, critica a resistência dos humanistas em dar aos impactos da ciência e da tecnologia importância semelhante à das guerras. Compara essa miopia à situação do enfermo que

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