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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Menos um combatente



A partida do Tiago Jaime Machado, deixará a cidade mais conservadora que ainda é. Lembro dele chegando, no ano passado. Sempre com um lenço "palestino", tapando o rosto, todas as vezes que os fotógrafos dele se aproximavam. O Ferrony, seu irnão de fé, dizia que estávamos diante de uma usina de idéias.

Realmente é assim que eu o enxergo. E talvez seja isso que a cidade não tenha compreendido. Um homem com idéias diversas, algumas revolucionárias. Mas como eram muitas, as pessoas por certo não conseguiam se apropriar a tempo de efetivar as ações que eram necessárias. Essa lógica do tempo, para quem mora em grandes centros, é diversa aqui no interior. Tudo em nossa cidade é mais lento. Leva mais tempo, para ser executado e entendido.

Mas isso não faz dele e de suas idéias um derrotado. Pelo contrário. É um vencedor. Foi capaz de plantar sementes em um solo árido. Conseguiu inclusive, conceber um coletivo de bicicletas, que está aí vivo e pulsando e que por certo assim continuará por muito tempo. Tivemos, mesmo fugazmente, uma rádio alternativa, que embalava as nossas noites, com músicas e programas que mexeram com a cabeça da gurizada.

O centro de inovação social merecia mais tempo. Levou-se um tempo para se entender bem o que era aquilo. Muitos pensavam que era um lugar para se beber e se divertir. Quando na verdade aquilo foi concebido para ser um local de discussão. Mas os jovens que por ali chegavam não entendiam muito bem isso. Tipo " como assim ler? não tem bebida? então larguei"...infelizmente ele se deparou com isso...E a idéia de um estúdio comunitário, acabou nem saindo do papel...

Ser um anarquista em um tempo que os jovens ingressam na política, não por idealismo, mas por dinheiro, é difícil. Isso por certo frustra. As pessoas não sabem o que querem. O sentimento dele por certo não é de decepção. Mas de alívio. Voltou a sua terra. Viveu em condições precárias. Fez o que tinha que ser feito. Voltar para SC é voltar para a luta. Até porque ela não é territorial. É globalizada. E por certo, donde quer que se esteja, as palavras e as ações serão sentidas. Gostaria e muito que permanecesse. Ajudei naquilo que pude. E tenho certeza que fará muita falta por aqui.

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