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terça-feira, 6 de maio de 2008

MAIO DE 68

Esta é uma data emblemática. Naquele ano, um enorme grupo de estudantes invadiu as ruas de Paris colocando em xeque o Governo francês e o autoritarismo exacerbado que vigia até então. Sempre foi uma data emblemática para os esquerdistas e os líderes dos movimentos estudantis. Com o passar do tempo, tendeu ao esquecimento midiático, mas atrai cada vez mais o interesse dos intelectuais sobre o movimento.

Penso que estamos diante de um niilismo revisitado. Talvez Nietzche fosse importante para entendermos mais a lógica do movimento. A dita revolução teve seus méritos. Rompeu com a tradição judaico-cristã e com a ideologia marxista, ou seja, o autoritarismo de um e de outro foram colocados de lado por aqueles que defendiam a liberdade sobre todos os ângulos. As barricadas e as greves, sob a ótica da filosofia do pensamento foram extremamente importantes e sem dúvida, oportunizaram um novo viés humanista. Rompe-se com a religião, questiona-se a ciência e a psicanálise é sem dúvida, o assunto da moda. O espírito de 68 é um desejo de liberdade, de autonomia e de independência, onde Sartre era um ídolo.

Do ponto de vista ideológico, entendo que pouco acrescentou. Nunca se soube ao certo o que é uma sociedade justa e igualitária, até porque não somos robôs e possuímos perfis diferentes um dos outros. Algumas frases foram emblemáticas:

a) Abaixo o socialismo, viva o surrealismo; b) É proibido proibir; c) Sejam realistas, exijam o impossível; d) A imaginação ao poder; e) Abaixo os jornalistas e todos aqueles que os querem manipular. F) Abaixo o Estado. Estes são alguns slogans pinçados no livro de Daniel Conh-Bendit, o Lê Rouge, um dos líderes do movimento. É certo dizer que politicamente foi importante por fazer com que o movimento se espalhasse pelo mundo. Os jovens tinham acelerado a história. Mas o “status quo ante” não mudou. Os conservadores continuaram conservadores e os progressistas de então, na esfera ideológica, pouco ou nada contribuíram ao modelo capitalista.

Mas então, o que restou? Do discurso contra o reacionarismo, viu-se que muitos se tornaram reacionários com o passar dos anos. Outros tantos ocupam cargos no Estado que eles tanto odiavam. Talvez o discurso pela liberdade ainda seja o grande mote deste movimento. No entanto, ainda me remeto a Nietzche e ao bom amigo Zaratustra: “Você se acha livre? Quero ouvir sua idéia dominadora, e não que você escapou da opressão... Livre de quê? Zaratustra não liga para isso! Mas seus olhos devem claramente me dizer: livre de quê?”

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